Lohana Gonçalves | Arquitetura

Banheira de imersão: o que precisa ser previsto no projeto antes da obra

Ter uma banheira de imersão em casa é o plano de muita gente. Aquele momento de calmaria no fim do dia, a água quente cobrindo o corpo e um design elegante que valoriza o banheiro como um spa particular. Mas a beleza exige técnica.
Em uma conversa recente com a Julieta durante uma visita à Portobello, discutimos exatamente isso: a infraestrutura. Banheiras soltas no espaço, conhecidas como freestanding, não devem ser um improviso de última hora. Elas demandam planejamento espacial e hidráulico rigoroso bem antes do primeiro tijolo ser quebrado.
Quando esse cuidado técnico entra na fase inicial de projeto, a obra avança sem sustos. O resultado final fica limpo, seguro e fiel ao que foi desenhado

Ninguém compra uma banheira e simplesmente a joga no banheiro pronto. Para que a instalação funcione, é preciso compatibilizar o layout com a estrutura física do imóvel.
Antes de tudo, pegue a fita métrica. Você precisa medir o espaço físico do banheiro e, mais importante ainda, as portas e os corredores por onde a peça vai passar no dia da entrega. Parece óbvio. Mas muitos esquecem esse detalhe e acabam com uma banheira que não passa da porta da suíte.
Além disso, reserve pelo menos 10 cm de espaço livre ao redor de toda a banheira. Esse recuo é indispensável para facilitar a limpeza diária, a passagem de panos e a manutenção geral da peça.

A instalação de uma banheira freestanding é consideravelmente mais direta do que a dos modelos embutidos tradicionais, pois ela não exige estrutura de alvenaria para apoio. Na prática, você precisa basicamente de um ponto de água quente/fria e um ralo de escoamento ligado ao esgoto no piso.
Se você optar por torneiras de piso ou misturadores de parede, a altura padrão recomendada fica entre 80 cm e 90 cm a partir do piso já acabado. Mantenha essa medida alinhada com o modelo específico que você escolheu.
Para o esgoto, a recomendação é que o ralo fique posicionado de 15 a 20 cm de distância da parede. Isso facilita a conexão física com o sifão flexível. Fique atento também à espessura do contrapiso: alguns modelos de banheira demandam um pequeno rebaixo de poucos centímetros no chão para acomodar a tubulação de escoamento sob a peça. Planeje esse detalhe com o seu pedreiro antes de assentar o porcelanato.

Uma dúvida recorrente em escritórios de arquitetura é se a banheira de imersão esquenta a água sozinha. A resposta é simples: o aquecimento não ocorre no corpo da banheira. Ela funciona apenas como o receptáculo que retém o calor. A água quente deve vir do sistema de aquecimento central do seu imóvel — seja ele a gás, solar ou elétrico. A tubulação leva a água na temperatura desejada diretamente até o misturador e, então, para a banheira. Por isso, a capacidade do seu aquecedor precisa ser compatível com a litragem da banheira escolhida para evitar que a água termine fria antes de encher o volume necessário.

No portfólio da Sabbia, por exemplo, destacam-se duas tecnologias de ponta:
● Duramatt: Produzido com uma mistura de minerais naturais e resina, oferece acabamento fosco, toque suave e excelente isolamento térmico. Ele ajuda a manter a água quente por mais tempo. Além disso, é um material não poroso e fácil de reparar caso ocorra algum risco acidental.
● Duraquartz: Utiliza quartzo em sua composição, o que confere alta resistência física e um visual rústico que remete à pedra natural. É altamente resistente a manchas e muito simples de limpar.

Se o seu projeto for em um apartamento, faça as contas estruturais. Banheiras de resina pesada ou pedras naturais podem pesar de 95 kg a 150 kg quando vazias. Quando cheias de água e com uma pessoa dentro, esse peso passa facilmente dos 300 kg. Em andares superiores de casas ou apartamentos, confirme com a engenharia se a laje suporta essa carga concentrada. Caso precise de uma opção mais leve, os modelos em acrílico são ótimas alternativas estruturais

Esqueça a ideia de que banheira exige banheiros imensos. Existem ótimas opções compactas no mercado atual. Modelos com desenhos minimalistas e dimensões reduzidas resolvem muito bem o layout de suítes de tamanho médio.
O segredo está na proporção espacial. Uma banheira compacta e bem planejada valoriza o ambiente. No entanto, uma banheira grande demais em um espaço apertado vira um obstáculo físico irritante para a rotina diária.

No fim das contas, a diferença entre uma obra limpa e uma sequência de dores de cabeça está no planejamento. Definir a hidráulica, o caimento do piso, a posição dos metais e a circulação antes de comprar os materiais garante que a execução ocorra sem furos ou retrabalhos.
A estética é importante, mas a viabilidade técnica vem primeiro.

Acompanhe nosso trabalho aqui no blog e no Instagram para ver mais bastidores de obras e soluções inteligentes de arquitetura!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *